SANTA IGREJA APOSTÓLICA PRIMITIVA, CATÓLICA E ORTODOXA

A Santa Igreja Apostólica Primitiva, Católica e Ortodoxa, é a comunidade de servidores do Santíssimo Salvador, por Ele instituída, fidelíssima aos Seus ensinamentos e vivendo, a exemplo d´Ele, no exercício permanente do Amor a Deus, que se expressa, de uma parte, como Ele o fez, no Amor ao Próximo e, de outra parte, como Ele também o fez, no culto público de louvor e de gratidão a Deus Pai e de submissão as Suas Leis.

Sunday, April 02, 2006

Tuesday, March 28, 2006

SANTA IGREJA APOSTÓLICA PRIMITIVA,
CATÓLICA E ORTODOXA
Do Sacrário do Pro-Patriarca Ecumênico

Uma Mensagem de Fé e de Orientação
ao Povo de Deus

01. Definição


A Santa Igreja Apostólica Primitiva, Católica e Ortodoxa, é a comunidade de servidores do Santíssimo Salvador, por Ele instituída, fidelíssima aos Seus ensinamentos e vivendo, a exemplo d´Ele, no exercício permanente do Amor a Deus, que se expressa, de uma parte, como Ele o fez, no Amor ao Próximo e, de outra parte, como Ele também o fez, no culto público de louvor e de gratidão a Deus Pai e de submissão as Suas Leis.

02. Situação e Princípios



Não mantém qualquer liame de submissão ou supremacia em relação a qualquer outra comunidade eclesial. É a Igreja Primordial – Primitiva – e, como tal, independente e soberana. Proclama a eterna solicitude de Deus em relação a todos os Seus Filhos – sem discriminações, sem exclusões, sem preconceitos de raça, de cor ou de nacionalidade.

03. O Cristo Eterno


Proclama o Cristo Eterno, desde sempre existente, vivo, operante e amoroso, “ pelo Qual todas as coisas foram feitas, e nada do que foi feito, foi feito sem Ele”. ( João, I, 3).

Esta verdade, esquecida de muitos, é o testemunho maior do Amor de Deus a toda Sua Criação, e de modo especial, à Humanidade. O Cristo Eterno ultrapassa, sem diminuí-Lo, o Cristo encarnado na Palestina, Jesus, Principe de Judá, Filho de Davi. Antes, d´Ele dá um testemunho de grandeza impar, de missão eterna e de eterno amor a Seu Povo.

04. Evolução?


É certo que o Povo de Deus vem evoluindo, ascendendo a níveis mais altos de espiritualidade, de discernimento e de ciência. Ninguém, hoje em dia, em sã consciência, ousaria negar essa lenta evolução, cíclica, trabalhosa, talvez muito sofrida – mas permanente, contínua, luminosa.

Hoje, se muitos problemas são vistos, se muitas falhas são evidenciadas no comportamento humano, estarrecendo alguns, entristecendo e magoando a muitos – é justamente porque se alteou o nível ético do Povo que observa e, de modo claro, erros e fraquezas, hipocrisias e mentiras, são mais facilmente visualizados. Evidenciam-se como os distantes corpos celestes ante as lentes de poderosos observatórios.

Tempos houve, dentro da própria Civilização Cristã, em que crimes aconteciam à vista de todos, praticados (até!) em nome de Deus e por muitos daqueles que se consideravam – e eram acreditados – como delegados d´Ele neste mundo!

05. Atitude Fraterna


Dizer isto não significa acusar a outros! Não significa negar as nossas próprias faltas e erros, acontecidos e praticados em outros tempos, nem significa tão pouco fugir a nossa própria realidade e responsabilidades a tudo que aconteceu!
Bem ao contrário, significa assumir essa realidade e essas responsabilidades, no justo objetivo de reparar erros e corrigir injustiças. Significa também, de um ponto de vista cultural, sobrepor-se a gnoses ultrapassadas e aceitar, a par da Eterna Providência de Deus e de Sua também Eterna Solicitude, o fato de uma evolução que continuamente se realiza e continuará a realizar-se até que seja alcançada a Felicidade Perfeita, que é a Redenção n´Ele.

06. Encontro Final


Nesse encontro final com Nosso Criador está o ápice de nossa realização, como Ser livre e racional, de nossa paz e de nossa alegria, o momento final de uma longa caminhada através dos milênios. Por isso, é lícito dizer-se: viemos de longe e vamos para o infinito.

07. Nossa Realidade


Importa reconhecer que não fomos criados para uma aventura momentânea aqui neste nosso grande (para nós!) mas muito pequeno mundo, para Deus. Importa reconhecer que não somos a mera resultante de uma eventual união entre dois seres – mas que somos, sim, andantes em direção à Casa de Nosso Pai.

Não somos atores de um drama previamente esboçado e planejado por alguém, nem a resultante do erro de alguns, ou de um drama cósmico – mas seres livres a evoluir e a resgatar as suas próprias faltas, aurindo o benefício de seus próprios acertos, tudo sob a esplendorosa Luz de Deus e protegidos por Seu Infinito Amor.

08. Fidelidade


A Santa Igreja não perdeu nenhuma das palavras de Cristo. Ela vê o Salvador como sempre deveria ter sido visto – na plenitude de Sua Sabedoria, de Sua Grandeza e de Sua Eternidade! Ela não se fechou na obscuridade, com temor do que viria, nem se escravizou a prejuízos culturais. Abriu-Se a um influxo do Divino Espírito Santo, cuja assistência Lhe foi assegurada por Cristo, e que se expressa entre o Povo de Deus, e nesse Povo! Sua Santa Hierarquia não ultrapassou os limites de Sua Missão: proclamar a Palavra de Cristo, assistir ao Seu Povo e exemplificar um comportamento moldado no d´Ele.

09. Respeito à Liberdade


A Santa Igreja proclama a inviolabilidade da consciência de cada um, respeitando, nos limites estabelecidos por Deus e por Seu Povo, a Liberdade de que Ele fez dom a cada um de Seus filhos.

Deus criou o homem desde o princípio, e o deixou na mão de seu próprio juízo. Deu-lhe mais os Seus Mandamentos e os Seus Preceitos. Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão, e tu conservarás sempre a fidelidade que agrada (a Deus). Ele pos diante de ti a água e o fogo; lança tua mão ao que quiseres. Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal;...” (Eclesiástico, XV, 14-18).

A Santa Igreja ensina, orienta e assiste, mas não se imiscui na vida íntima de ninguém. Esse é um recanto sagrado onde apenas se faz presente a realidade do ser humano e a Misericórdia e a Sabedoria de Deus.

Não pratica, pois, a Santa Igreja, desde as origens, qualquer tipo de confissão. Orienta, não julga. Assiste, não oprime. Proclama, não impõe.


“Não contes os teus pensamentos nem ao amigo nem ao inimigo, e se cometeste algum pecado não o descubras, porque te ouvirá e se guardará de ti e, aparentando desculpar o teu pecado, te aborrecerá, e estará sempre (hostil) ao teu lado. Ouviste alguma palavra contra o teu próximo? Morra dentro de ti,...”
(Eclesiástico, XIX, 8-10)

10. Trajetória Diferenciada


É fácil constatar-se que a Santa Igreja Apostólica Primitiva seguiu uma trajetória bem diferente de outras comunidades ditas cristãs. Nesse caminho permanecerá até o fim dos tempos. Ela não é uma Hierarquia Sagrada apenas, é um Povo inteiro, que vem de longe e vai para muito longe, procurando sempre obedecer à Palavra do Cristo Salvador, Reconciliador e Eterno.

11. A Palavra de Cristo


A Santa Igreja não aceita como verdades indiscutíveis as definições proclamadas por assembléias, por mais dignas de veneração que estas tenham sido, ou que sejam nos dias de hoje. Para Ela, a palavra de Cristo prima sobre tudo. Dos enviados de Deus a este mundo, somente Ele, por Sua realidade, era incondicionado. Sua sabedoria sobrepunha-se a todos e a tudo. Quaisquer textos, de quaisquer livros, que se oponham ao que Ele proclamou, não integram o patrimônio eterno de orientação, de iluminação e de redenção do Povo de Deus.

Se por vezes, para ser compreendido, Ele empregou tradições e símbolos próprios da cultura do local em que cumpria o Seu ministério, esses textos são claramente identificáveis. Não se trata, aqui, de assemelhar-se o Divino Salvador às nossas limitações teológicas, filosóficas e sociológicas, mas de nos colocarmos, com nossas limitações e pobreza, o mais próximo possível de Sua Eternidade, de Sua Grandeza, de Sua Origem e de Sua Sagrada Missão
.

12. Apostolicidade da Santa Igreja


A Santa Igreja é Apostólica por ser a continuação do ministério dos apóstolos, constituído e ordenado por Cristo e destinado a preservar e proclamar a Sua Mensagem até o fim dos tempos.
É Apostólica também porque, segundo a concepção tradicional, deriva deles por uma ininterrupta linha de sucessivos proclamadores do Evangelho, consagrados uns por outros, pela imposição das mãos.

14. Igreja Primitiva


A Santa Igreja é Primitiva por ser, em sua realidade histórica e em seu ministério, enquanto este é proclamação, assistência e exemplificação – a continuação da Igreja Primitiva, sem disputas filosóficas, teológicas ou litúrgicas, atenta apenas aos ensinamentos de Cristo. São estes a alma da Santa Igreja. Transmiti-los e exemplifica-los é Sua Missão, é Seu Empenho, é o trabalho de Seus Ministros e de todo o Povo de Deus.

13. O Sacramento da Ordem


A Santa Igreja reconhece, pois, e ensina a validade do Sacramento da Ordem, segundo o conceito que se fez tradição e que testemunha algo de especialíssima valia e fonte de preciosos dons e de significativo ministério. Mas não faz disto um argumento de vaidade, para sobrepor-se a outros. Ou para julgar, condenar e proclamar-se melhor. Reconhece plenamente que Deus pode ordenar ministros Seus por outros meios, agindo diretamente sobre Seu Povo, e suscitando servidores fidelíssimos, onde quer que Ele assim considere necessário.

15. Catolicidade


A Santa Igreja é Católica no cumprimento da ordem do Salvador: ir a todo o mundo e pregar o Evangelho da Redenção (não da exclusão!) a toda criatura. A palavra “ católica “ não é propriedade desta ou de outra comunidade. É uma designação histórica que dá testemunho de uma missão. Não indica ou significa“ domínio universal “. Nenhuma comunidade religiosa o possui! Indica, sim, uma vocação de universalidade.

16. Ortodoxia


A Santa Igreja é Ortodoxa por uma razão basilar e maior que todas: ela mantem a verdadeira reta fé, aquela ensinada e proclamada por Cristo, em toda Sua realidade, destinada a todo o Povo de Deus, indiscutível em seu conteúdo espiritual e ético.

Esta Ortodoxia sobrepõem-se a qualquer outra: nada existe mais importante e mais significativo que a Palavra do Santíssimo Salvador.

17. Diferenciações


Neste aspecto de qualificação é necessário destacar-se algo: a Santa Igreja Apostólica Primitiva não deseja e jamais quis assimilar-se a outras igrejas ditas ortodoxas. São muitas e profundas as diferenças entre esta Santa Igreja Apostólica Primitiva, Católica e Ortodoxa, e outras com semelhantes designações.

18. Ecumenismo


Nós proclamamos a necessária e justa unidade, no mutuo respeito e na mutua caridade, entre todos os homens que trabalham pela promoção dos valores humanos e conseqüente crescimento de todo o Povo de Deus. Do conceito de Povo de Deus não excluímos a ninguém retamente intencionado. Para a Santa Igreja um Muçulmano, um Judeu, um Budista, e qualquer outro – que vivencie a retidão do Amor de Deus e do próximo em sua consciência e em seu coração – é integrante desse Povo Eleito.

19. Batismo no Espírito Santo.


Ser batizado, para nós, não significa apenas ser submetido, ou submeter-se a um ato litúrgico, convencional e exterior! Há muitas formas de batismo – mas em todas elas o que importa, o que dá fundamento e valor eterno, é aquela transformação que se efetua naquele que se abre à Graça de Deus, que O aceita como seu Pai e Senhor, com todas as responsabilidades, missão, serviço e graças daí decorrentes.

É um ato íntimo, uma transformação profunda, um momento de iluminação, de adesão, de proclamação de fidelidade à Lei Divina. É um instante de intimidade, de mútua aceitação – se assim é licito dizer – entre o Ser Humano e Seu Criador.

20. Aceitação do Cristo Eterno.


A aceitação do Cristo Eterno, pelo Qual “todas as coisas foram feitas” (João I,3), permite e autoriza este modo de crer e de agir. Esta transformação profunda, em qualquer lugar que ocorra, é o verdadeiro batismo no Espírito Santo. Ou seja, pelo Poder de Deus e pela límpida disposição do Ser Humano.Não é um Ato Litúrgico, público e social. Não é algo que se realiza em um espaço físico, em um templo construído por homens. É algo que se realiza no Templo do Divino Espírito Santo, ou seja, na Alma e na Consciência de quem fez por merecer esse agraciamento.

21. O Batismo Litúrgico


Isto em nada diminui o valor e o significado do Batismo Litúrgico ou pára-litúrgico, da assembléia justamente dita cristã. A Santa Igreja o realiza cumprindo o mandamento do Cristo. Quando se batiza uma criança, recebe-se essa criança no seio da Comunidade, invocando sobre ela todas as graças decorrentes do Sacramento, que são dádivas exclusivas de Deus e (e isto é importante sublinhar-se!) colocando esta criança sob a proteção, a orientação ética e a assistência, se necessário for, da Comunidade Eclesial. Por isso, e especialmente por isso, o batizado de uma criança é um ato litúrgico, público, onde há testemunhas da responsabilidade assumida e pessoas que assumem essa responsabilidade, alem dos pais e junto deles: os padrinhos.

22. A Confirmação


Já a Confirmação, que na Igreja Primitiva se realiza mais tarde (o que também a diferencia de outras igrejas ditas “ortodoxas”), deve, idealmente, espiritualmente, corresponder àquela época, ou àquele tempo em que o Ser Humano aceita e proclama a sua filiação divina, sua fidelidade e sua devoção e submissão às Leis de Deus. É, em outras palavras – ou deve ser – um ato significativo de uma maioridade espiritual e de uma assunção pública, litúrgica, de compromissos e de fidelidade a Deus, em todos os sentidos, e de respeitosa integração na comunidade em que vive.

É igualmente um momento em que a Igreja responde a esse ato de fé publicamente realizado, e de compromissos e de fidelidade livremente assumidos, implorando de Deus a Graça Divina e Sua proteção sobre quem a Ele se confia integralmente.

Isto para falar, de modo simples, sobre os aspectos sociais, comunitários, do Sacramento da Confirmação, sem referencias – por conhecidas – às Graças Espirituais que o Santo Sacramento infunde em quem O recebe devidamente preparado e em sã consciência.

23. Da Eficácia dos Sacramentos


Aqui, destaquemos: ninguém pode desconhecer que os Sacramentos e outros Atos Sacramentais, tradicionalmente celebrados pela Santa Igreja, somente são salutares, eficientes, operantes, quando quem os recebe está com a disposição espiritual necessária e conveniente.
Sem essa disposição, limitam-se a atos litúrgicos com apenas um significado exterior, que podem momentaneamente atender a interesses sociais, meramente deste plano de vida, mas que nada vão significar diante de Deus.

24. Exclusões


Deste principio apenas se excluem aqueles sacramentos e sacramentais realizados nas intenções de quem ainda é ou está em estado de inconsciência, em que a Santa Igreja invoca ajuda, benção e proteção de Deus. Nestes Atos, a Santa Igreja pede a Deus a outorga de Sua Graça e exercita Sua Misericórdia. Assim, exemplificando, no Sacramento do Batismo de crianças, ou no Sacramento da Unção de doentes já em estado grave. É o exercício do Amor de Deus pelo Amor do Próximo, sempre de uma valia inestimável.

25. Consagração Comunitária


No Sacramento da Ordem a Santa Igreja segue, sempre que possível, uma tradição própria, que não se fez uma Regra Canônica, mas que tem um valor muito especial e uma significação própria, socialmente e espiritualmente considerando-se esse Ato Sagrado.

Queremos nos referir à Sagração Comunitária, que é celebrada pela Comunidade em que vai atuar o Ministro eleito, ou pela Comunidade de origem, em se tratando de missionários para regiões especificas.

É a continuação, em termos renovados e adaptados a outras circunstancias, da primitiva eleição de diáconos, presbíteros e bispos nos primeiros séculos do Cristianismo.

26. O Sacerdócio dos Fiéis


A Santa Igreja acredita e proclama que todo fiel cristão, que livremente e em sã consciência buscou e recebeu o Sacramento da Confirmação, seja em um Ato Litúrgico público, seja por Graça Especial do Divino Espírito Santo, participa do Sacerdócio como integrante da Comunidade Eclesial.

27. Da Ação Litúrgica dos Fiéis



De outra parte, confirmando a eleição de um ministro e proclamando sua aceitação e seu compromisso de respeito e acatamento ao novo eleito, o Povo de Deus celebra publicamente um Ato Litúrgico, de extraordinário significado e beleza espiritual, em que um grupo de membros em plenitude na Comunidade Eclesial, por ela escolhidos, ou conforme às circunstâncias, indicados pela Santa Hierarquia, durante a celebração da Divina Liturgia impõe as mãos sobre o novo eleito, invocando sobre ele a assistência do Divino Espírito Santo.

28. Significado da Consagração Comunitária


Este Ato Sagrado corresponde a uma Consagração em que o Divino Espírito Santo é invocado para que oficie pela plenitude de Seu Poder.

Desde esse momento, no respeito da assistência espiritual prometida e garantida pela Graça Divina, o novo ministro é reconhecido plenamente ordenado para o Sagrado Ministério.

29. Razão da Consagração Comunitária:


A Santa Igreja acredita que homem algum, por mais significativo que seja o Ato Litúrgico de Ordenação ou de Consagração, possa situar-se como canal único de transmissão dos poderes específicos da Ordem e da inerente Graça Divina. Ensina, pois, que o Divino Espírito Santo é o Liturgo principal, o outorgante de todo poder e autoridade, e pode fazê-lo independentemente de qualquer presença humana. Entretanto, em atenção a antigos cânones e considerando aspectos comunitários, sociais e de hierarquia, que aqui não cabe referir, a Santa Igreja preserva, como princípio fundamental e necessário de Sua Santa Hierarquia, a Ordenação e a Consagração Litúrgicas.

Em conseqüência, após um período relativamente breve, todo Ministro que recebeu a Consagração Comunitária e, portanto, foi autorizado e reconhecido pela Comunidade, recebe – na forma do Direito Canônico e da tradição – a Consagração Litúrgica.

30. Das Limitações Ministeriais:



Os Ministros da Santa Igreja, enquanto apenas consagrados pela comunidade, sofrem algumas limitações no exercício de seu ministério. Acerca destas limitações, de ordem espiritual e canônica, não cabe, porém, aqui, observações mais profundas.

31. Aspecto Histórico da Consagração Comunitária:


Apenas, a título de ilustração, é lícito dizer-se que essa bela e sagrada Tradição das “Consagrações Comunitárias” surgiu em tempos idos, lá pelo século VII. A Santa Igreja, a partir do Concílio de Constantinopla, em 681, enfrentou perseguições e sacrifícios inauditos. O Povo Mardaíta, principal núcleo que se preservou fiel à Bula Ektesis (Exposição), do Santo Imperador Heráclio, o Grande, e que constituía um elemento militar de especial valor para defesa do Sacro Império, dito de Oriente, foi então tratado de um modo muito especial: visando empregá-lo na defesa do Estado, onde se fazia muitíssimo necessário, e visando também extinguir sua Cristologia, considerada herética pelo referido Concílio, foi, em lavas sucessivas, disperso para regiões distantes.

32. Resultado da Dispersão:


Com a graça de Deus, porém, o resultado foi negativo para a “outra Ortodoxia”: junto de cada grupo enviado para distantes regiões (e até para os próprios Bálcãs!), seguiam, discreta e anonimamente, sacerdotes e, por vezes, também bispos. Em conseqüência, espalhou-se por várias regiões a Cristologia e o espírito libertário da Nação Mardaíta. Se, por algum tempo, dentro das fronteiras do Império, não se ouviu falar da Santa Igreja, ela se preservou secretamente em muitos lugares, e incorporou, também, grupos de outras etnias.

33. Apelo à Graça de Deus:


Alguns desses grupos, porém, não dispunham de bispos consagrados litúrgica e canonicamente, segundo as regras tradicionais. Valeram-se, então, como também o fizeram outras comunidades perseguidas, de um pedido de assistência direta do Santo Espírito de Deus. Surgiu assim, dessa necessidade premente, o Sagrado Rito da Consagração Comunitária.

Essas comunidades permaneceram anônimas e fiéis até o advento da liberdade religiosa.

34. Testemunho de Gratidão:


Importa ainda dizer, num testemunho de gratidão e de reconhecimento da Infinita Assistência e Sabedoria de Deus, que se preservaram duas linhas publicamente reconhecidas da Santa Igreja dita oficial do século VII, ambas sob a autoridade de Príncipes Muçulmanos: a dos Patriarcas Maronitas, no Líbano e a dos Pro-Patriarcas Sírio-Bizantinos, na Mesopotâmia, Irã e África.

35. Na Adversidade:


Em muitos momentos recebeu a Santa Igreja, em séculos posteriores, a proteção dos cristãos paulinistas, jacobitas, coptas, armênios, abrahamitas e outros. Eram comunidades perseguidas e sacrificadas, que mutuamente se amparavam na adversidade

36. Da Previdência e da Providência de Deus:


Talvez tudo isso fizesse parte da previdência e da providência de Deus. A Santa Igreja se preservou na Sua Fé, adquiriu uma visão de ecumenicidade, abriu-se inteiramente à Graça de Deus, confiou obstinadamente em Sua assistência, e seguiu por um caminho próprio de Sabedoria e Iluminação.

37. Na Clandestinidade:


Durante um largo tempo, em vários lugares, constituiu-se a Santa Igreja numa Ordem Arcana. A Cripto-Ortodoxia Latina é um exemplo disso. A verdade do Cristo Eterno fazia-se presente e operante. Mesmo sob o perigo do martírio, da fogueira, do desterro, do sacrifício máximo – homens e mulheres fidelíssimos ao Santíssimo Salvador abraçavam a Fé, conduziam outros ao Caminho, e tornavam viva e permanente a Proclamação do Evangelho de Cristo, segundo a Vontade d’Ele.

38. Louvor e Gratidão:


A esses Homens Santos e a essas Mulheres Santas, cujos descendentes integram hoje a Santa Igreja, ou dão testemunho em outras comunidades irmãs, registramos aqui o nosso louvor e nossa eterna gratidão. Graças a Eles, e apesar de eventuais diferenças teológicas, o Mandamento Novo do Cristo manteve-se presente na consciência de milhares de fiéis.

39. Um Espírito de Fidelidade:


A Santa Igreja não eleva condenação a quem quer que seja, nem a pessoas individualmente, nem a outras comunidades eclesiais. Nem poderia fazê-lo, porque estaria contrariando seu próprio espírito, que é a orientação advinda do Santíssimo Salvador, e estaria a ultrajar sua própria História – que sempre foi um testemunho de fidelidade ao ensinamento de Cristo.

40. Uma Diferença Basilar:


É justo expressar, porém, que enquanto outras igrejas esqueceram o Mandamento Novo, ápice de Sua Mensagem, a Santa Igreja Apostólica Primitiva, verdadeiramente Católica e verdadeiramente Ortodoxa, manteve-se fidelíssima a esse princípio áureo, proclamado pelo Santíssimo Salvador.

“Dou-vos um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros e que, assim como Eu vos amei, vos ameis uns aos outros. Nisto saberão todos que sois Meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” João, XIII, 34

41. Reverência e Justa Gratidão:


Cabe aqui uma palavra de reverência e de justa gratidão àqueles Hierarcas de outras Igrejas Apostólicas que – em tempos idos e atuais – exemplificando um espírito de sadio ecumenismo, despido de propósitos de supremacia, deram seu apoio à Santa Igreja e, em vários lugares do mundo, fraternamente colaboraram e contribuíram para a restauração do Sagrado Ministério, na fiel observância da tradição canônica.

42. Uma Mensagem Própria:



Cabe também dizer que a Santa Igreja não é apenas uma igreja a mais, entre as muitas que prestam serviços ao Povo de Deus. A Santa Igreja apostólica Primitiva, Católica e Ortodoxa, tem uma mensagem que Lhe é inerente e diferenciativa, não apenas porque preserva a simplicidade e a fidelidade da Fé que ilumina desde sempre os Cristãos Primitivos, como também porque colheu, pela graça do Espírito Santo, através dos séculos, uma iluminação própria, plenamente espiritualista – no melhor sentido – deixando à margem dos caminhos costumes hoje inaceitáveis e gnoses ultrapassadas.

43.Deixando a Pobreza Humana



Enfim, deixemos de lado toda a pobreza humana que constitui, em muitos casos, para outros, algo inviolável e sagrado. Graças à presença de homens e mulheres santos e sábios, a Santa Igreja preservou, no recesso de Seus sacrários, na consciência e no coração de Seu povo, um Cristianismo que, à semelhança daquele das origens, dispensa crendices, superstições e devoções que desfiguram a Reta Fé que deve orientar e animar o Povo de Deus.

44. Uma Sólida Pedra:


Quando, no início do século XVII, surgiu a Ordem do Cristo Reconciliador, dita da Unidade Apostólica, de que resultariam os Pro-Patriarcas Unionistas, sob a égide de homens sábios e ilustres, uma sólida pedra estava colocada na Obra da Proclamação Santa. Sem dúvida, era uma Providência de Deus, uma dádiva significativa para Seu Povo, um instrumento de ação apostólica, um consolo para antigas dores e sofrimentos.

45. O Eterno Renascer da Verdade:


O eterno renascer da Verdade ali se reiniciava! Como também se reiniciou e se fez presença efetiva em outros lugares. Nem sempre no contexto da Santa Igreja, mas sempre no serviço do Povo de Deus e do Eterno Senhor.

46. A Ação do Espírito Santo:


A ação do Espírito Santo sempre se fez eficiente. E mesmo em hierarquias endurecidas e quase esclerosadas pelo exercício excessivamente longo de um poder discricionário, o Senhor agiu! Suscitou homens fiéis, que a partir do interior dessas hierarquias, romperam liames, devassaram novos horizontes e plantaram sementes de fraternidade.

Graças a esses homens, inscritos no Divino Rol dos Servidores Fiéis, essas hierarquias hoje caminham e agem, dentro de sua própria realidade e tradição, mas proclamando valores renovados, sob a radiosa Luz de Deus. Quem, em sã consciência, pode negar a poderosa ação do Espírito Consolador?

47. Servidores Fiéis em Toda Parte:


Renovam-se, em Meu Espírito, aquelas palavras santas e de eterno significado:

”Tudo o que foi feito, foi feito por Ele. E nada do que foi feito, foi feito sem Ele”.

Deus suscita servidores fiéis em tantos lugares que seria estultice nos considerarmos os únicos! Longe de Nós tal vaidade e tal pretensão. Quanto mais servidores atentos surgirem, melhor para a obra de construção do Reino de Deus.

48. Gratidão ao Senhor:


Agradecemos a Deus por todos os irmãos que, n’Ele, trabalham pelo Seu Povo e para Sua Glória. E pedimos especialmente por aqueles despidos de fanatismos e preconceitos – sempre abertos à ação do Espírito e sempre guiados pelo Amor de Deus e do próximo.

49. Nosso Espírito:



Quanto a Nós, sirva-nos de justificativa e de diretriz uma plena fidelidade a Ele, uma justa dedicação a Seu Povo, a Nossos Irmãos, e uma permanente solicitude pela construção de um Mundo Melhor, pela elevação de Seu Império em todas as consciências.

Que Deus a todos copiosamente abençoe!
A Ele, louvor e gratidão!

De nosso Sacrário, aos 06.01.2006 A.D.

Dom Saul Kaesar Augusto, O.S+G.,
Dei Humilissimus Servator